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domingo, 24 de fevereiro de 2019

[UM POUCO SOBRE...] O que significa o IgG e o IgM nos resultados de alguns exames?

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Uma das formas mais comuns de diagnosticar uma infecção é através da sorologia, que é um exame de sangue no qual podemos pesquisar a existência ou não de anticorpos específicos contra determinadas doenças. A lógica por trás da sorologia é a seguinte: quando somos infectados por algum microrganismo, o nosso sistema imunológico “pega” amostras deste germe e as usa para criar anticorpos específicos contra os mesmos. Se você nunca foi exposto a um determinado microrganismo antes, você não possui anticorpos específicos contra ele. Por outro lado, se você tem a doença agora ou a teve em algum momento da vida, nós conseguimos encontrar anticorpos específicos circulando na corrente sanguínea. Quando somos contaminados com uma nova infecção, os primeiros anticorpos produzidos são as imunoglobulinas M, mais conhecidas como IgM. Portanto, a existência no sangue de grandes quantidades de IgM contra rubéola, por exemplo, é um indicador de que a infecção foi recentemente adquirida ou está em curso. Quando o paciente se cura da infecção, o sistema imunológico para de produzir anticorpos do tipo IgM e passa a produzir imunoglobulinas G, conhecidas como IgG. O IgG é um anticorpo de memória, que permanece presente no sangue pelo resto da vida. Desta forma, da próxima vez que o paciente entrar em contato com a rubéola (nosso exemplo acima), o risco de desenvolver a doença será mínimo, pois desde o primeiro momento, o seu sistema imunológico já terá amostras de anticorpos específicos contra a rubéola. Portanto, a presença de anticorpo IgG contra dada doença é um sinal de que o paciente já teve a enfermidade em algum momento da vida e agora encontra-se imunizado. A presença de anticorpos do tipo IgG costuma ser chamada de cicatriz sorológica, ou seja, uma marca de que o paciente esteve infectado no passado. Anticorpos IgG podem ser obtidos através de infecção prévia ou vacinação. Na verdade, o objetivo de qualquer vacinação é induzir o sistema imune a produzir anticorpos permanentes contra uma determinada infecção. O desenvolvimento de anticorpos do tipo IgG é um sinal de que a vacinação foi eficaz.

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sábado, 4 de agosto de 2018

• QUESTÕES (COM GABARITO) • Doenças Infecciosas e Parasitárias [7].


1. As bactérias são organismos microscópicos e muitas são patogênicas, pois causam doenças. Entre as doenças humanas causadas por bactérias, podemos citar:

a) varicela, poliomielite, sarampo e dengue.
b) sífilis, gonorreia, brucelose e tétano.
c) pneumonia, tuberculose, febre amarela e sarampo.
d) encefalite, poliomielite, hepatite e tuberculose.
e) hanseníase, dengue, gripe e brucelose.

2. A sífilis é uma doença infecto-contagiosa sistêmica e crônica. Sua evolução é dividida em recente e tardia. A transmissão da sífilis adquirida é sexual na quase totalidade dos casos. A respeito dos aspectos clínicos e epidemiológicos da sífilis adquirida, assinale a alternativa correta.

a) Não é doença de notificação compulsória.
b) Seu agente etiológico é um vírus pertencente ao gênero morbillivirus.
c) Na sífilis latente, não se observam sinais e sintomas clínicos.
d) A sífilis adquirida tardia é considerada tardia durante o primeiro ano de evolução da doença.
e) A sífilis primária é marcada pela disseminação dos treponemas pelo organismo.

3. Sobre as Hepatites virais, assinale a alternativa INCORRETA.

a) As hepatites virais A e E são transmitidas pela via fecal-oral e estão relacionadas às condições de saneamento básico, higiene pessoal, qualidade da água e dos alimentos.
b) Os trabalhadores da saúde devem obedecer às normas universais de biossegurança e imunização contra a hepatite B.
c) São possíveis sintomas dessas hepatites: icterícia, colúria e hipocolia fecal.
d) A vacina contra hepatite B é recomendada para crianças de 12 meses até menores de 2 anos de idade.
e) Recém-nascidos de mães portadoras do vírus da hepatite B devem receber a 1ª dose da vacina contra hepatite B e imunoglobulina preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida. Se estas normas forem devidamente obedecidas, a amamentação não é contraindicada.

4. Paciente de 33 anos decide viajar no feriado com a família. Depois de retornar para casa, percebe que não se sente bem e vai com a filha até a Unidade de Saúde mais próxima de sua casa. Em atendimento na unidade, detectou-se que a paciente estava com febre de 38,5ºC de início súbito, cefaleia, dor muscular e manchas vermelhas na pele. Porém, sua principal queixa são as dores intensas nas articulações das mãos e dos pés. Qual doença podemos identificar através das informações obtidas?

a) Tuberculose.
b) Hanseníase.
c) Influenza.
d) Malária.
e) Febre Chikungunya.

5. Doença infecciosa febril aguda, cujos agentes etiológicos são protozoários transmitidos por vetores, a malária é também conhecida popularmente como “maleita” e tem como seu principal reservatório o homem. Sobre a malária, é correto afirmar que

a) existe a transmissão direta da doença de pessoa a pessoa. Outras formas de transmissão, tais como transfusão sanguínea, compartilhamento de agulhas contaminadas ou transmissão congênita não podem ocorrer.
b) o período de infecção caracteriza-se pela fase de apirexia.
c) um dos diagnósticos laboratoriais é o da gota espessa.
d) a transmissão ocorre por meio da picada do mosquito macho anopheles, infectado pelo Plasmodium spp.
e) é considerado caso descartado toda pessoa cuja presença de parasito ou algum de seus componentes tenha sido identificada no sangue por exame laboratorial.

6. A tuberculose é um problema de saúde prioritário no Brasil. O diagnóstico dessa doença se dá, na grande maioria dos casos, por meio de exames de escarro. Para uma coleta adequada no domicílio, o profissional de saúde deve repassar ao paciente as seguintes orientações, EXCETO

a) coletar de 5 a 10 ml de escarro.
b) orientar para que, antes da coleta, o paciente inspire profundamente, retenha o ar por alguns instantes (segundos) e expire. Após repetir esse procedimento 3 vezes, tossir.
c) orientar o paciente que evite tomar grandes volumes de água no dia anterior à coleta.
d) coletar o escarro, preferencialmente, em jejum.
e) aos pacientes que já estão em tratamento da TB, orientar a ingestão dos medicamentos após a coleta de escarro.

7. O sarampo caracteriza-se por febre alta, acima de 38,5°C, exantema máculo-papular generalizado, tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik. Suas manifestações clínicas são divididas em três períodos. O período em que a ocorrência de superinfecção viral ou bacteriana é facilitada pelo comprometimento da resistência do hospedeiro à doença e são frequentes as complicações, principalmente nas crianças até os 2 anos de idade, especialmente as desnutridas e os adultos jovens, denomina-se

a) Período Toxêmico.
b) Período Prodrômico.
c) Período assintomático.
d) Período de Remissão.
e) Período de Infecção.

8. Relacione as doenças às respectivas características.


a) 1, 2, 3
b) 1, 3, 2
c) 2, 1, 3
d) 2, 3, 1
e) 3, 1, 2

9. Qual é a doença cujas manifestações clínicas da fase crônica aparecem na vida adulta, anos após a fase aguda, apresentando alterações cardíacas e/ou digestivas?

a) Febre tifoide
b) Leishmaniose visceral
c) Doença de Chagas
d) Infecção por poliovírus
e) Esquistossomose mansônica

10. Qual é a população que apresenta maior fragilidade em seu sistema imunológico referente aos linfócitos T CD4+ e, em função disso, deve ser foco das campanhas a favor do diagnóstico precoce da soropositividade para o HIV/ Aids?

a) Lactentes
b) Gestantes
c) Idosos
d) Adultos
e) Adolescentes

11. As estatísticas oficiais reconhecem o recrudescimento da Tuberculose Pulmonar nas grandes metrópoles, e uma de suas principais causas reside no tratamento incompleto e/ou no abandono do tratamento específico por parte do paciente. Uma das medidas epidemiológicas adotadas é a vacinação precoce da criança com o BCG intradérmico.

Esse tipo de vacina deve ser aplicado

a) no recém-nato, em dose única
b) no recém-nato e com reforço aos dois meses
c) aos dois, quatro e seis meses de idade
d) aos três, cinco e sete meses de idade
e) aos seis meses de idade, em dose única

12. Dentre as doenças infecciosas causadas por vírus, as hepatites são relevantes por seu caráter insidioso e pela gravidade de terem o fígado como órgão alvo. Considerando-se o modo de transmissão das hepatites, para quais tipos o enfermeiro deve indicar procedimentos e cuidados inerentes à transmissão sanguínea?

a) E e B
b) A e B
c) B e C
d) A e C
e) A e E

13. Com relação à hanseníase, assinale a opção correta.

a) A hanseníase é uma doença de notificação compulsória em todo o território nacional e de investigação facultativa, devido ao longo período de incubação.
b) O homem e alguns animais silvestres, como o tamanduá e o tatu, são considerados fontes de infecção para hanseníase.
c) O tratamento para hanseníase é focado na internação hospitalar ou no isolamento dos pacientes em leprosários.
d) A confirmação da alta por cura da hanseníase deve ser realizada por um profissional médico.
e) A vigilância epidemiológica da hanseníase no Brasil atualmente utiliza essencialmente o sistema universal com busca ativa, pautado na notificação dos casos suspeitos e confirmados.

14. Em relação à tendência de queda da incidência e da mortalidade por tuberculose no Brasil, apesar dos indicadores animadores, números absolutos relacionados a essa enfermidade ainda causam indignação e representam um desafio grandioso. São mais de 70 mil casos novos, e o número de óbitos por tuberculose ultrapassa a cifra de 4,5 mil pessoas a cada ano.

Tendo o texto apresentado como referência inicial e considerando o cenário atual da tuberculose no Brasil, assinale a opção correta.

a) O maior risco de adoecimento se concentra nos primeiros dois anos após a primoinfecção, mas o período de incubação pode ser estendido por muitos anos e até décadas.
b) No tratamento da infecção latente ou quimioprofilaxia secundária, a droga de escolha é Rifampicina.
c) Os profissionais de saúde deverão receber a vacina BCG, independentemente do resultado da prova tuberculínica.
d) A transmissão da tuberculose ocorre exclusivamente pela via pulmonar.
e) A pesquisa bacteriológica é o método prioritário, tanto na detecção quanto no monitoramento e na evolução do tratamento, mas não serve para documentar a cura.

15. As infecções sexualmente transmissíveis são frequentes e têm múltiplas etiologias e apresentações clínicas, além de causarem impacto negativo na qualidade de vida das pessoas, podendo afetar as relações interpessoais. A respeito dessas infecções, assinale a opção correta.

a) Define-se como caso confirmado de sífilis adquirida toda evidência clínica de sífilis primária ou secundária em indivíduo com teste não treponêmico reagente com qualquer titulação e teste treponêmico reagente, ou o quadro de indivíduo assintomático com teste não treponêmico reagente com qualquer titulação e teste treponêmico reagente.
b) A oftalmia neonatal, definida como conjuntivite purulenta do recém-nascido, ocorre a partir do terceiro mês de vida, devido ao longo período de incubação do agente etiológico e pode levar à cegueira, principalmente se causada pelo Treponema pallidum.
c) O vírus da hepatite B apresenta baixa infectividade e, quando está fora do corpo, ele se torna inativo.
d) O papiloma vírus humano é um vírus de RNA que pode induzir uma grande variedade de lesões proliferativas.
e) O diagnóstico do condiloma acuminado é laboratorial e complementado pelos exames de colonoscopia e broncoscopia.




GABARITO
1. B
2. C
3. D
4. E
5. C
6. C
7. A
8. D
9. C
10. C
11. A
12. C
13. D
14. A
15. A

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

• RESUMO • Leptospirose.

DESCRIÇÃO
Doença infecciosa febril de início abrupto, cujo espectro clínico pode variar desde um processo inaparente até formas graves.

SINONÍMIA
Doença de Weil, síndrome de Weil, febre dos pântanos, febre dos arrozais, febre outonal, doença dos porqueiros, tifo canino e outras, embora sejam termos evitados por serem passíveis de confusão.

AGENTE ETIOLÓGICO
Bactéria helicoidal (espiroqueta) aeróbica obrigatória do gênero Leptospira, do qual se conhecem 14 espécies patogênicas, sendo a mais importante a L. interrogans.
A unidade taxonômica básica é o sorovar (sorotipo). Mais de 200 sorovares já foram identificados, cada um com o(s) seu(s) hospedeiro(s) preferencial(ais), ainda que uma espécie animal possa albergar um ou mais sorovares.
Qualquer sorovar pode determinar as diversas formas de apresentação clínica no homem. No Brasil, os sorovares Icterohaemorrhagiae e Copenhageni estão relacionados aos casos mais graves.

RESERVATÓRIOS
Animais sinantrópicos domésticos e selvagens. Os principais são os roedores das espécies Rattus norvegicus (ratazana ou rato de esgoto), Rattus rattus (rato de telhado ou rato preto) e Mus musculus (camundongo ou catita). Esses animais não desenvolvem a doença quando infectados e albergam a leptospira nos rins, eliminando-a viva no meio ambiente e contaminando água, solo e alimentos.
O R. norvegicus é o principal portador do sorovar Icterohaemorraghiae, um dos mais patogênicos para o homem. Outros reservatórios são caninos, suínos, bovinos, equinos, ovinos e caprinos.
O homem é apenas hospedeiro acidental e terminal, dentro da cadeia de transmissão.

CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS
A leptospirose tem distribuição universal. No Brasil, é uma doença endêmica; tornase epidêmica em períodos chuvosos, principalmente nas capitais e áreas metropolitanas, devido às enchentes associadas à aglomeração populacional de baixa renda, condições inadequadas de saneamento e alta infestação de roedores infectados.
Nos últimos 10 anos, vêm-se confirmando uma média anual de mais de 3.600 casos, no país. As regiões Sudeste e Sul concentram o maior número de casos confirmados, seguidas pelo Nordeste. Nesse mesmo período, são registrados 375 óbitos em média, a cada ano.
Trata-se de uma zoonose de grande importância social e econômica por apresentar elevada incidência em determinadas áreas, alto custo hospitalar e perdas de dias de trabalho, como também por sua letalidade, que pode chegar a 40% nos casos mais graves.
Algumas ocupações facilitam o contato com as leptospiras, como trabalhadores em limpeza e desentupimento de esgotos, garis, catadores de lixo, agricultores, veterinários, tratadores de animais, pescadores, magarefes, laboratoristas, militares e bombeiros, entre outras. Contudo, a maior parte dos casos ainda ocorre entre pessoas que habitam ou trabalham em locais com infraestrutura sanitária inadequada e expostos à urina de roedores.

MODO DE TRANSMISSÃO
A infecção humana resulta da exposição direta ou indireta à urina de animais infectados.
A penetração do microrganismo ocorre através da pele com presença de lesões, pele íntegra imersa por longos períodos em água contaminada ou através de mucosas.
Outras modalidades de transmissão possíveis, porém com rara frequência, são: contato com sangue, tecidos e órgãos de animais infectados; transmissão acidental em laboratórios; e ingestão de água ou alimentos contaminados.
A transmissão pessoa a pessoa é rara, mas pode ocorrer pelo contato com urina, sangue, secreções e tecidos de pessoas infectadas.

PERÍODO DE INCUBAÇÃO
Varia de 1 a 30 dias (média entre 5 e 14 dias).

PERÍODO DE TRANSMISSIBILIDADE
Os animais infectados podem eliminar a leptospira através da urina durante meses, anos ou por toda a vida, segundo a espécie animal e o sorovar envolvido.

SUSCETIBILIDADE E IMUNIDADE
A suscetibilidade é geral.
A imunidade adquirida pós-infecção é sorovar-específica, podendo um mesmo indivíduo apresentar a doença mais de uma vez se o agente etiológico de cada episódio pertencer a um sorovar diferente do(s) anterior(es).

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Variam desde formas assintomáticas e subclínicas até quadros clínicos graves, associados a manifestações fulminantes.
As apresentações clínicas da leptospirose são divididas em duas fases: fase precoce (fase leptospirêmica) e fase tardia (fase imune).

Fase precoce
Caracteriza-se pela instalação abrupta de febre, comumente acompanhada de cefaleia, mialgia, anorexia, náuseas e vômitos, e pode não ser diferenciada de outras causas de doenças febris agudas.
Corresponde de 85 a 90% das formas clínicas, mas poucos casos são identificados e notificados nessa fase da doença, em decorrência das dificuldades inerentes ao diagnóstico clínico e à confirmação laboratorial.
Podem ocorrer diarreia, artralgia, hiperemia ou hemorragia conjuntival, fotofobia, dor ocular e tosse. Exantema ocorre em 10 a 20% dos pacientes e apresenta componentes de eritema macular, papular, urticariforme ou purpúrico, distribuídos no tronco ou região prétibial.
Em menos de 20% dos casos de leptospirose também podem ocorrer hepatomegalia, esplenomegalia e linfadenopatia.
A fase precoce da leptospirose tende a ser autolimitada e regride entre 3 e 7 dias sem deixar sequelas. Costuma ser diagnosticada como uma "síndrome gripal", "virose" ou outras doenças que ocorrem na mesma época, como dengue ou influenza.
É importante notar a existência de alguns sinais e sintomas que podem ajudar a diferenciar a fase precoce da leptospirose de outras causas de doenças febris agudas. Sufusão conjuntival é um achado característico da leptospirose e é observada em cerca de 30% dos pacientes. Esse sinal aparece no final da fase precoce e caracteriza-se por hiperemia e edema da conjuntiva ao longo das fissuras palpebrais.
Com a progressão da doença, os pacientes também podem desenvolver petéquias e hemorragias conjuntivais. Geralmente, a leptospirose é associada à intensa mialgia, principalmente em região lombar e nas panturrilhas. Entretanto, nenhum desses sinais clínicos da fase precoce é suficientemente sensível ou específico para diferenciá-la de outras causas de febre aguda.

Fase tardia
Em aproximadamente 15% dos pacientes com leptospirose, ocorre a evolução para manifestações clínicas graves, que se iniciam após a primeira semana da doença, mas podem aparecer mais cedo, especialmente em pacientes com apresentações fulminantes.
A manifestação clássica da leptospirose grave é a síndrome de Weil, caracterizada pela tríade de icterícia, insuficiência renal e hemorragia, mais comumente pulmonar. A icterícia é considerada um sinal característico e apresenta uma tonalidade alaranjada muito intensa (icterícia rubínica). Geralmente, a icterícia aparece entre o 3º e o 7º dia da doença e sua presença costuma ser usada para auxiliar no diagnóstico da leptospirose, sendo um preditor de pior prognóstico devido a sua associação com essa síndrome. Entretanto, essas manifestações podem se apresentar concomitantemente ou isoladamente, na fase tardia da doença.
A síndrome de hemorragia pulmonar, caracterizada por lesão pulmonar aguda e sangramento pulmonar maciço, vem sendo cada vez mais reconhecida no Brasil como uma manifestação distinta e importante da leptospirose na fase tardia. No entanto, é importante observar que manifestações graves da leptospirose, como hemorragia pulmonar e insuficiência renal, podem ocorrer em pacientes anictéricos. Portanto, não se deve basear apenas na presença de icterícia para identificar pacientes com leptospirose ou com risco de complicações graves da doença. Enquanto a letalidade geral nos casos de leptospirose notificados no Brasil é de 10%, nos pacientes que desenvolvem hemorragia pulmonar é maior que 50%.
O comprometimento pulmonar da leptospirose se apresenta com tosse seca, dispneia, expectoração hemoptoica e, ocasionalmente, dor torácica e cianose.
A hemoptise franca indica extrema gravidade e pode ocorrer de forma súbita, levando à insuficiência respiratória (síndrome da hemorragia pulmonar aguda e síndrome da angústia respiratória aguda – SARA) e a óbito. Na maioria dos pacientes, porém, a hemorragia pulmonar maciça não é identificada até que uma radiografia de tórax seja realizada ou que o paciente seja submetido à intubação orotraqueal. Assim, deve-se manter uma suspeição para a forma pulmonar grave da leptospirose em pacientes que apresentem febre e sinais de insuficiência respiratória, independentemente da presença de hemoptise. Além disso, a leptospirose pode causar SARA na ausência de sangramento pulmonar.
Outros tipos de diátese hemorrágica, frequentemente em associação com trombocitopenia, também podem ocorrer, além de sangramento nos pulmões, fenômenos hemorrágicos na pele (petéquias, equimoses e sangramento nos locais de venopunção), nas conjuntivas e em outras mucosas ou órgãos internos, inclusive no sistema nervoso central.

IMPORTANTE! Os casos com comprometimento pulmonar podem evoluir para insuficiência respiratória aguda, hemorragia maciça ou síndrome de angústia respiratória do adulto e, muitas vezes, esse quadro precede o quadro de icterícia e insuficiência renal. Nesses casos, pode ocorrer óbito nas primeiras 24 horas de internação.

COMPLICAÇÕES
A insuficiência renal aguda é uma importante complicação da fase tardia e ocorre em 16 a 40% dos pacientes. A leptospirose causa uma forma peculiar de insuficiência renal aguda, caracterizada por ser não oligúrica e hipocalêmica, devido à inibição de reabsorção de sódio nos túbulos renais proximais, aumento no aporte distal de sódio e consequente perda de potássio. Durante esse estágio inicial, o débito urinário é de normal a elevado, os níveis séricos de creatinina e ureia aumentam e o paciente pode desenvolver hipocalemia moderada a grave. Com a perda progressiva do volume intravascular, os pacientes desenvolvem insuficiência renal oligúrica devido à azotemia pré-renal. Nesse estágio, os níveis de potássio começam a subir para valores normais ou elevados. Devido à perda contínua de volume, os pacientes podem desenvolver necrose tubular aguda e não responder à reposição intravascular de fluidos, necessitando de início imediato de diálise para tratamento da insuficiência renal aguda.
Outras complicações frequentes na forma grave da leptospirose são: miocardite, acompanhada ou não de choque e arritmias agravados por distúrbios eletrolíticos; pancreatite; anemia; e distúrbios neurológicos como confusão, delírio, alucinações e sinais de irritação meníngea. A leptospirose é uma causa relativamente frequente de meningite asséptica. Embora menos frequentes, também podem-se observar encefalite, paralisias focais, espasticidade, nistagmo, convulsões, distúrbios visuais de origem central, neurite periférica, paralisia de nervos cranianos, radiculite, síndrome de Guillain-Barré e mielite.

CONVALESCENÇA E SEQUELAS
Nesta fase, astenia e anemia podem ser observadas. A convalescença dura de 1 a 2 meses, período no qual podem persistir febre, cefaleia, mialgias e mal-estar geral por alguns dias. A icterícia desaparece lentamente, podendo durar por semanas. Os níveis de anticorpos, detectados pelos testes sorológicos, diminuem progressivamente; em alguns casos, porém, os níveis de anticorpos permanecem elevados por vários meses. A eliminação de leptospiras pela urina (leptospirúria) pode continuar por uma semana até vários meses após o desaparecimento dos sintomas.

DIAGNÓSTICO
Laboratorial

Exames específicos
O método laboratorial de escolha depende da fase evolutiva em que se encontra o paciente. Na fase precoce, as leptospiras podem ser visualizadas no sangue por meio de exame direto, de cultura em meios apropriados, inoculação em animais de laboratório ou detecção do DNA do microrganismo pela técnica da reação em cadeia da polimerase (PCR). A cultura finaliza-se (positiva ou negativa) após algumas semanas, o que garante apenas um diagnóstico retrospectivo.
Na fase tardia, as leptospiras podem ser encontradas na urina, cultivadas ou inoculadas. No entanto, pelas dificuldades inerentes à realização dos exames de cultura, os métodos sorológicos são prioritariamente escolhidos para o diagnóstico da leptospirose. Os mais utilizados são o ensaio imunoenzimático (ELISA-IgM) e a microaglutinação (MAT). Estes exames devem ser realizados pelos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACEN). Exames complementares de maior complexidade ou não disponibilizados nos LACEN (imuno-histoquímica, técnicas baseadas em PCR e tipagem de isolados clínicos, por exemplo) podem ser solicitados ao laboratório de referência.

Exames inespecíficos

Exames iniciais e de seguimento
Hemograma e bioquímica – ureia, creatinina, bilirrubina total e frações, TGO, TGP, gama glutamil transferase (GGT), fosfatase alcalina (FA), creatinoquinase (CPK), Na+ e K+. Se necessário, também devem ser solicitados radiografia de tórax, eletrocardiograma (ECG) e gasometria arterial. Na fase inicial da doença, as alterações laboratoriais podem ser inespecíficas.

As alterações mais comuns nos exames laboratoriais, especialmente na fase tardia da doença, são:
• elevação das bilirrubinas totais com predomínio da fração direta, podendo atingir níveis elevados;
• plaquetopenia;
• leucocitose, neutrofilia e desvio à esquerda;
• gasometria arterial, mostrando acidose metabólica e hipoxemia;
• aumento de ureia e creatinina;
• potássio sérico normal ou diminuído, mesmo na vigência de insuficiência renal aguda (potássio elevado pode ser visto ocasionalmente e, nesse caso, indica pior prognóstico);
• CPK elevada;
• aminotransferases normais ou com aumento de 3 a 5 vezes o valor da referência (geralmente não ultrapassam 500UI/dL), podendo estar a AST (TGO) mais elevada que a ALT (TGP);
• anemia normocrômica – a observação de queda nos níveis de Hb e Ht durante exames seriados sem exteriorização de sangramentos pode ser indício precoce de sangramento pulmonar;
• FA e GGT normais ou elevadas;
• atividade de protrombina (AP) diminuída ou tempo de protrombina (TP) aumentado ou normal;
• baixa densidade urinária, proteinúria, hematúria microscópica e leucocitúria são frequentes no exame sumário de urina;
• líquor com pleocitose linfomonocitária ou neutrofílica moderada (abaixo de 1.000 células/mm3, comum na segunda semana da doença, mesmo na ausência clínica da evidência de envolvimento meníngeo); pode haver predomínio de neutrófilos, gerando confusão com meningite bacteriana inespecífica;
• radiografia de tórax – infiltrado alveolar ou lobar, bilateral ou unilateral, congestão e SARA; e
• ECG – fibrilação atrial, bloqueio atrioventricular e alteração da repolarização ventricular.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Fase precoce – dengue, influenza (síndrome gripal), malária, riquetsioses, doença de Chagas aguda, toxoplasmose, febre tifoide, entre outras.
Fase tardia – hepatites virais agudas, hantavirose, febre amarela, malária grave, dengue grave, febre tifoide, endocardite, riquetsioses, doença de Chagas aguda, pneumonias, pielonefrite aguda, apendicite aguda, sepse, meningites, colangite, colecistite aguda, coledocolitíase, esteatose aguda da gravidez, síndrome hepatorrenal, síndrome hemolítico-urêmica, outras vasculites, incluindo lúpus eritematoso sistêmico, entre outras.

TRATAMENTO
Hospitalização imediata dos casos graves, visando evitar complicações e diminuir a letalidade. Nos casos leves, o atendimento é ambulatorial.

Antibioticoterapia
A antibioticoterapia está indicada em qualquer período da doença, mas sua eficácia costuma ser maior na 1ª semana do início dos sintomas.

Antibioticoterapia recomendada para pacientes com leptospirose

IMPORTANTE! As medidas terapêuticas de suporte devem ser iniciadas precocemente com o objetivo de evitar complicações, principalmente as renais, e óbito.

NOTIFICAÇÃO
A leptospirose é uma doença de notificação compulsória no Brasil. Tanto a ocorrência de casos suspeitos isolados como a de surtos devem ser notificadas, o mais rapidamente possível, para o desencadeamento das ações de vigilância epidemiológica e controle.

PREVENÇÃO E CONTROLE
As medidas de prevenção e controle devem ser direcionadas aos reservatórios, à melhoria das condições de proteção dos trabalhadores expostos e das condições higiênicosanitárias da população, e às medidas corretivas sobre o meio ambiente, diminuindo sua capacidade de suporte para a instalação e proliferação de roedores.


REFERÊNCIA
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Guia de Vigilância em Saúde: volume único. 1ª ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.

• RESUMO • Leishmaniose Tegumentar Americana.

DESCRIÇÃO
Doença infecciosa, não contagiosa, causada por protozoário, de transmissão vetorial, que acomete pele e mucosas.

SINONÍMIA
Úlcera de Bauru, nariz de tapir, botão do Oriente

AGENTE ETIOLÓGICO
Protozoário do gênero Leishmania. No Brasil, foram identificadas 7 espécies, sendo 6 do subgênero Viannia e uma do subgênero Leishmania. As 3 principais espécies são:
Leishmania (Leishmania) amazonensis;
Leishmania (Viannia) guyanensi;
Leishmania (Viannia) braziliensis.

RESERVATÓRIOS
Infecções por leishmanias que causam a leishmaniose tegumentar americana (LTA) foram descritas em várias espécies de animais silvestres (roedores, masurpiais, edentados e canídeos silvestres), sinantrópicos (roedores) e domésticos (canídeos, felídeos e equídeos). Com relação a esses últimos, seu papel na manutenção do parasito no meio ambiente ainda não foi esclarecido.

CARACTERÍSTICAS EPIDEMIOLÓGICAS
Nas últimas décadas, a LTA apresentou mudanças no seu comportamento. Inicialmente considerada zoonose de animais silvestres, que acometia ocasionalmente pessoas em contato com florestas, a LTA começou a ocorrer em zonas rurais já praticamente desmatadas e em regiões periurbanas.
Observa-se a coexistência de um duplo perfil epidemiológico, expresso pela manutenção de casos oriundos dos focos antigos ou de áreas próximas a eles, e pelo aparecimento de surtos associados a fatores decorrentes do surgimento de atividades econômicas, como garimpos, expansão de fronteiras agrícolas e extrativismo, em condições ambientais altamente favoráveis à transmissão da doença.
No período de 1993 a 2012, a LTA apresentou média anual de 26.965 casos autóctones registrados e coeficiente de detecção médio de 15,7 casos/100.000 hab. Ao longo desse período, observou-se uma tendência no crescimento da endemia, registrando-se os coeficientes mais elevados nos anos de 1994 e 1995, quando atingiram níveis de 22,83 e 22,94 casos/100.000 hab., respectivamente.
Ao se analisar a evolução da LTA no Brasil, observa-se uma expansão geográfica, sendo que, no início da década de 1980, foram registrados casos autóctones em 19 Unidades Federadas e, no ano de 2003, foi confirmada autoctonia em todas as Unidades da Federação. A região Norte vem contribuindo com o maior número de casos (cerca de 37,3% do total de casos registrados, no período) e com os coeficientes médios mais elevados (73,3 casos/100.000 hab.), seguida das regiões Centro-Oeste (35,4 casos/100.000 hab.) e Nordeste (18,8 casos/100.000 hab.).
A partir do indicador da densidade de casos, houve identificação, no período de 2009 a 2011, de 20 circuitos ativos de produção da doença de importância epidemiológica, os quais foram responsáveis por 48,5% do total de casos registrados em 2011, distribuídos em 477 municípios do total de 1.792 que apresentaram casos em todo o país.

VETORES
Os vetores da LTA são insetos denominados flebotomíneos, pertencentes à ordem Diptera, família Psychodidae, subfamília Phlebotominae, gênero Lutzomyia, conhecidos popularmente como mosquito palha, tatuquira, birigui, entre outros, dependendo da localização geográfica. No Brasil, as principais espécies envolvidas na transmissão da LTA são L. whitmani, L. intermedia, L. umbratilis, L. wellcomei, L. flaviscutellata e L. migonei.

MODO DE TRANSMISSÃO
Picada de fêmeas de flebotomíneos infectadas. Não há transmissão de pessoa a pessoa.

PERÍODO DE INCUBAÇÃO
No homem, em média de 2 meses, podendo apresentar períodos mais curtos (duas semanas) e mais longos (2 anos).

SUSCETIBILIDADE E IMUNIDADE
A suscetibilidade é universal. A infecção e a doença não conferem imunidade ao paciente.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Classicamente, a doença se manifesta sob duas formas: leishmaniose cutânea e leishmaniose mucosa (ou mucocutânea), que podem apresentar diferentes manifestações clínicas, descritas no Atlas da Leishmaniose Tegumentar Americana (2006) e no Manual de Vigilância da Leishmaniose Tegumentar Americana (2007). A forma cutânea caracteriza-se por apresentar lesões indolores, com formato arredondado ou ovalado, apresentando base eritematosa, infiltrada e de consistência firme, bordas bem delimitadas e elevadas, fundo avermelhado e com granulações grosseiras. Já a forma mucosa caracteriza-se pela presença de lesões destrutivas localizadas na mucosa, em geral nas vias aéreas superiores.

COMPLICAÇÕES
Complicações por intercorrência - na evolução da doença, podem surgir intercorrências que exijam cuidados.
• Infecção secundária das úlceras:
- lesão em mucosa nasal, que pode levar à rinite purulenta e a complicações, como sinusite até broncopneumonia causada pela secreção aspirada da faringe. A complicação com broncopneumonia é a principal responsável por óbitos, nos casos de forma mucosa;
- lesão extensa no centro da face, que pode levar à trombose de seio cavernoso.
• Lesões na boca e faringe podem causar sialorreia e dificuldade na deglutição, levando à desnutrição.
• Em lesões avançadas da laringe, pode haver perda da voz e obstrução da passagem do ar, causada pelo edema ou pela cicatriz retrátil, obrigando a realização de traqueostomia de urgência.
• Lesões conjuntivais podem levar a distorções da fenda ocular e, raramente, à perda do olho.
• Miíase pode surgir como complicação de úlceras.
• Meningite pode ser uma complicação da disseminação da infecção de uma úlcera da face para a base do crânio.

DIAGNÓSTICO
Laboratorial
O diagnóstico laboratorial constitui-se fundamentalmente pelos exames:
• parasitológico – pesquisa de amastigotas em esfregaço da lesão ou imprint de fragmentos de tecido do paciente;
• imunológicos – intradermorreação de Montenegro (IDRM) ou sorologia por imunofluorescência (IFI) ou ensaio imunoenzimático (ELISA);
• molecular – reação em cadeia da polimerase (PCR).

Recomenda-se a confirmação do diagnóstico por método parasitológico, antes do início do tratamento, especialmente naqueles casos com evolução clínica fora do habitual e/ou má resposta a tratamento anterior.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Leishmaniose cutânea: realizar diagnóstico diferencial com sífilis, hanseníase, tuberculose, micobacterioses atípicas, paracoccidioidomicose, histoplasmose, lobomicose, esporotricose, cromoblastomicose, piodermites, rinoscleroma, granuloma facial de linha média, sarcoidose, lúpus eritematoso discoide, psoríase, infiltrado linfocítico de Jessner, vasculites, úlceras de estase venosa, úlceras decorrentes da anemia falciforme, picadas de insetos, granuloma por corpo estranho, ceratoacantoma, carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular, histiocitoma, linfoma cutâneo,
outros tumores.
Leishmaniose mucosa: o diagnóstico diferencial é feito com paracoccidioidomicose, carcinoma epidermoide, carcinoma basocelular, linfomas, rinofima, rinosporidiose, entomoftoromicose, hanseníase virchowiana, sífilis terciária, perfuração septal traumática ou por uso de drogas, rinite alérgica, sinusite, sarcoidose, granulomatose de Wegner e outras doenças mais raras.

COINFECÇÃO Leishmania-HIV
As propostas para atender às necessidades do serviço na implantação das ações de vigilância e controle em pacientes coinfectados Leishmania-HIV no Brasil estão descritas no Manual de Recomendações para diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes com a coinfecção Leishmania-HIV (2011).
A LTA pode modificar a progressão da doença pelo HIV e a imunodepressão causada por esse vírus facilita a progressão da LTA. Não há um perfil clínico definido associado à coinfecção em pacientes portadores de HIV. Achados não usuais podem ser observados nos pacientes coinfectados, como, por exemplo, o encontro de Leishmania spp. em pele íntegra, e sobrepondo lesão de sarcoma de Kaposi, ou em lesões de Herpes simplex e Herpes-zóster. Pode, ainda, haver acometimento do trato gastrointestinal e do trato respiratório para a coinfecção Leishmania-HIV.

Recomenda-se oferecer a sorologia para HIV para todos os pacientes com LTA, independentemente da idade. Ressalta-se a importância de obter o resultado da sorologia para HIV o mais rapidamente possível, para orientar a conduta clínica específica.

Condições em que portadores de HIV/aids devem ser investigados para LTA
Qualquer tipo de lesão cutânea ou mucosa com mais de duas semanas de evolução, em pacientes expostos à área de transmissão de LTA, em qualquer época da vida.

TRATAMENTO
A droga de primeira escolha é o antimonial pentavalente, com exceção dos pacientes coinfectados com HIV e gestantes. Não havendo resposta satisfatória com o tratamento pelo antimonial pentavalente, as drogas de segunda escolha são a anfotericina B e o isotionato de pentamidina. No tratamento para crianças emprega-se o mesmo esquema terapêutico utilizado para o tratamento de pacientes adultos.

RECOMENDAÇÕES
É recomendável o repouso físico relativo e a abstinência de bebidas alcoólicas durante o período de tratamento, devido às possíveis alterações hepáticas.
Em pacientes com idade acima dos 50 anos, portadores de cardiopatias, nefropatias, hepatopatias ou doença de Chagas, deverá ser feita rigorosa avaliação clínica antes e durante o tratamento, com acompanhamento eletrocardiográfico duas vezes por semana, hemograma e exame bioquímico do sangue para avaliação das funções renal (ureia e creatinina), pancreática (amilase e lipase) e hepática (transaminases, bilirrubinas e fosfatase alcalina).
Tais exames deverão ser monitorizados semanalmente, para orientar a redução da dose ou suspensão da droga, bem como a indicação de terapêutica alternativa.

SEGUIMENTO PÓS-TRATAMENTO
Os pacientes devem ser submetidos ao acompanhamento clínico e laboratorial para avaliação da resposta e, também, para a detecção de possível recidiva após terapia inicial bem-sucedida.

LTA E OUTROS PATÓGENOS
Pode ocorrer associação de LTA com outras doenças, tais como: esquistossomose mansônica, hanseníase, tuberculose pulmonar ou extrapulmonar, paracoccidiodomicose, malária e cromoblastomicose, entre outras. Nesses casos, em doenças cujo tratamento for com dose única ou poucas doses, como esquistossomose mansônica e malária, pode-se tratar, inicialmente, essas doenças com as drogas indicadas e, posteriormente, começar o tratamento para LTA com antimoniais pentavalentes em suas doses habituais, ou então administrar anfotericina B em esquema padronizado. As outras doenças devem ser tratadas com seus respectivos esquemas terapêuticos, associando-se a anfotericina B na sua dose habitual.

CRITÉRIOS DE CURA
O critério de cura é clínico, sendo indicado o acompanhamento regular por 12 meses. Entretanto, para fins de encerramento do caso no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), não é necessário aguardar o término do acompanhamento.
Os critérios de cura para pacientes acometidos pela forma cutânea são definidos pela epitelização das lesões ulceradas, com regressão total da infiltração e do eritema, até 3 meses após a conclusão do esquema terapêutico. Entretanto, nos casos em que não se cumpriram os critérios supracitados, sugere-se o prolongamento da observação até se completarem 6 meses. Já o critério de cura para os acometidos pela forma mucosa é definido pela regressão de todos os sinais e comprovado pelo exame otorrinolaringológico, até 6 meses após a conclusão do esquema terapêutico. Tais critérios, bem como o acompanhamento regular, estão descritos no Manual de Vigilância da Leishmaniose Tegumentar Americana (2007).

SITUAÇÕES QUE PODEM SER OBSERVADAS
Devido a diversos fatores, como, por exemplo, a dificuldade de acesso às unidades de saúde, o tratamento da LTA muitas vezes é descontinuado. Esta descontinuidade interfere diretamente na eficácia terapêutica. Neste sentido, alguns conceitos e condutas necessitam ser conhecidos pelos profissionais de saúde que manejam os pacientes de LTA, conforme descrito a seguir.

Tratamento regular
Forma cutânea – caso que utilizou de 10 a 20mg Sb+5/kg/dia de antimoniato de N-metil glucamina entre 20 e 30 dias, não ocorrendo intervalo superior a 72 horas entre as doses.
Forma mucosa – caso que utilizou 20mg Sb+5/dia de antimoniato de N-metil glucamina entre 30 e 40 dias, não ocorrendo intervalo superior a 72 horas entre as doses.

Tratamento irregular
Forma cutânea e mucosa – caso que ultrapassou o tempo previsto para um tratamento regular ou para o qual tenha ocorrido um intervalo superior a 72 horas entre as doses.
Falha terapêutica – caso que recebeu 2 esquemas terapêuticos regulares sem apresentar remissão clínica.
Recidiva – reaparecimento de lesão leishmaniótica em qualquer parte do corpo, no período de até 1 ano após a cura clínica, descartada a possibilidade de reinfecção, considerando-se a história da doença atual e a realidade epidemiológica de transmissão do agravo, bem como os possíveis deslocamentos do paciente.
Abandono – caso em que não houve constatação da cura clínica e que não compareceu, à unidade de saúde, até 30 dias após o 3º agendamento para avaliação.

Conduta frente às situações que podem ser observadas
Tratamento regular – paciente que comparece mensalmente à consulta, durante 3 meses após o término do esquema terapêutico, para ser avaliado. Poderá receber alta por cura clínica no transcorrer desse período ou ser iniciado o retratamento, caso tenha ocorrido reativação da lesão.
Tratamento irregular – caso o paciente tenha utilizado menos de 50% das doses prescritas, iniciar, de imediato, o esquema terapêutico completo, a não ser que se apresente clinicamente curado. Caso o paciente tenha utilizado mais de 50% das doses preconizadas, observam-se as seguintes condutas:
- cura clínica;
- melhora clínica – após 3 meses de observação, reavaliar para alta, ou reiniciar o esquema terapêutico completo;
- sem melhora clínica – reiniciar, de imediato, o esquema terapêutico.
Abandono – início do esquema terapêutico com antimonial pentavalente, a não ser que o indivíduo se apresente clinicamente curado.

NOTIFICAÇÃO
Doença de notificação compulsória, em que todo caso confirmado deve ser notificado e investigado pelos serviços de saúde, por meio da Ficha de Investigação da Leishmaniose Tegumentar Americana do SINAN. O seu registro é importante para o conhecimento, a investigação, bem como para a classificação epidemiológica (caso autóctone ou importado) e o acompanhamento dos casos. Uma vez detectado um caso importado, após sua investigação, ele deverá ser notificado no SINAN e ao serviço de saúde estadual ou municipal do local provável de infecção.

INVESTIGAÇÃO
A Ficha de Investigação da Leishmaniose Tegumentar Americana contém os elementos essenciais a serem coletados em uma investigação de rotina. Todos os campos dessa ficha devem ser criteriosamente preenchidos, mesmo quando a informação for negativa ou ignorada. Outros itens e observações devem ser investigados, conforme as necessidades e peculiaridades de cada situação.

A detecção de casos de LTA pode ocorrer por meio de:
• demanda espontânea às unidades de saúde;
• busca ativa de casos em áreas de transmissão;
• visitas domiciliares dos profissionais do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e Estratégia de Saúde da Família (ESF);
• encaminhamentos de suspeitos feitos pela rede básica de saúde.

PREVENÇÃO
Para evitar os riscos de transmissão, algumas medidas preventivas de caráter individual e coletivo devem ser estimuladas, tais como:
• uso de repelentes, quando houver exposição a ambientes onde os vetores, habitualmente, possam ser encontrados;
• evitar a exposição nos horários de atividades do vetor (crepúsculo e noite); em áreas de ocorrência de L. umbratilis, evitar a exposição durante o dia e a noite;
• uso de mosquiteiros de malha fina (tamanho da malha 1,2 a 1,5mm e denier 40 a 100), bem como a telagem de portas e janelas;
• manejo ambiental com limpeza de quintais e terrenos, a fim de alterar as condições do meio que propiciem o estabelecimento de criadouros para formas imaturas do vetor;
• poda de árvores, de modo a aumentar a insolação, para diminuir o sombreamento do solo e evitar as condições favoráveis (temperatura e umidade) ao desenvolvimento de larvas de flebotomíneos;
• destino adequado do lixo orgânico, a fim de se impedir a aproximação de mamíferos comensais, como marsupiais e roedores, prováveis fontes de infecção para os flebotomíneos;
• limpeza periódica dos abrigos de animais domésticos;
• manutenção de animais domésticos distantes do intradomicílio durante a noite, de modo a reduzir a atração dos flebotomíneos para esse ambiente;
• em áreas potenciais de transmissão, sugere-se uma faixa de segurança de 400 a 500 metros entre as residências e a mata. Entretanto, uma faixa dessa natureza terá que ser planejada para evitar erosão e outros problemas ambientais.


REFERÊNCIA
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Guia de Vigilância em Saúde: volume único. 1ª ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

• QUESTÕES (COM GABARITO) • Doenças Infecciosas e Parasitárias [6].


1. As opções apresentadas abaixo condizem com as etapas da avaliação neurológica para diagnóstico da hanseníase, EXCETO

a) Inspeção;
b) Teste de Sensibilidade;
c) Teste VDLR;
d) Palpação dos nervos.

2. O meio mais eficaz de prevenir a tuberculose é a: 

a) detecção precoce dos casos existentes na comunidade e o seu tratamento correto.
b) identificação de casos de triquíase nos alvéolos pulmonares.
c) mobilização da comunidade para desenvolver medidas simples de higiene. 
d) quimioprofilaxia e evitar áreas de grande concentração humana.
e) melhoria dos serviços de infraestrutura urbana, como coleta de lixo e saneamento. 

3. Em relação à hanseníase, assinale a alternativa correta.

a) É uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Mycobacterium leprae.
b) É um câncer, sendo uma das doenças mais antigas já registradas, com casos descritos antes de Cristo.
c) É uma doença incurável, mas se não tratada pode ser fatal, sendo passível de controle, entretanto.
d) Os países com maiores incidências são os mais desenvolvidos ou com condições precárias de higiene.
e) A transmissão desta doença se dá exclusivamente pelo contato com a pele do paciente doente.

4. Acerca do tratamento da hanseníase no Brasil, assinale a alternativa correta.

a) O tratamento não é gratuito, ou seja, não é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
b) O tratamento é feito com o uso de quimioterápicos antineoplásicos, uma vez que se trata de um câncer.
c) Na forma multibacilar, o tratamento demora seis meses; já na forma paucibacilar, um ano ou mais. É fundamental seguir o tratamento, pois é eficaz, apesar de não permitir a cura da doença.
d) É fundamental seguir o tratamento, pois é eficaz, apesar de não permitir a cura da doença.
e) A primeira dose do medicamento já garante que a hanseníase não será transmitida.

5. O Uso obrigatório da máscara N95 é uma das medidas de proteção adotada pelo enfermeiro na assistência a pacientes sob diagnóstico de doenças transmitidas por partículas menores que 5 micras. 

É exemplo dessas doenças 
a) coqueluche.
b) impetigo.
c) tuberculose.
d) H1N1.
e) meningite Viral.

6. No atendimento à mulher com doença sexualmente transmissível, o conjunto de ações essenciais inclui

a) orientação e entrega de preservativo, mediante prescrição médica.
b) incentivo a adesão ao tratamento e vacinação, se maior de 35 anos de idade.
c) orientação do tratamento, mesmo com o desaparecimento dos sinais e sintomas.
d) agendamento do retorno, a cada três dias, para avaliação e acompanhamento.
e) coleta de material para pesquisa de Machado Guerreiro.

7. O Programa Nacional de Controle da Hanseníase do Ministério da Saúde desenvolve um conjunto de ações que visam orientar a prática em serviço em todas as instâncias e diferentes complexidades. Com base nas ações de atenção e controle previstas nesse programa, analise as afirmativas a seguir, considerando V para a verdadeira e F para a falsa: 

(  ) A atenção à pessoa com hanseníase, a suas complicações e sequelas, deve ser oferecida em toda a rede do Sistema Único de Saúde, de acordo com a necessidade de cada caso. 
(  ) Os casos diagnosticados devem ser notificados em até 24h, utilizando-se a ficha de notificação e investigação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação/Investigação – Sinan. 
( ) A reação hansênica tipo 2 caracteriza-se pelo aparecimento de novas lesões dermatológicas (manchas ou placas), infiltração, alterações de cor e edema nas lesões antigas. 

A sequência correta é:

a) V – F – F.
b) F – V - V.
c) V – F – V.
d) F – V – F.
e) V – V – F.

8. A leishmaniose é uma doença transmitida por protozoários conhecidos com leishmânias. Ela pode ser dividida em dois tipos: a leishmaniose visceral e a tegumentar. Entre as alternativas abaixo, marque aquela que diz respeito à leishmaniose visceral, também conhecida como calazar.

a) Dentre os sintomas da doença, podemos destacar o aparecimento de feridas ulcerosas na pele e nas mucosas, que podem causar até mesmo deformidades.
b) Essa doença é transmitida pela ingestão de água e alimentos contaminados por cistos desse protozoário.
c) Quando a doença atinge a mucosa nasal, pode ocasionar a perfuração do septo nasal.
e) É causada principalmente pelo protozoário conhecido por Leishmania chagasi.

9. O protozoário Trichomonas vaginalis é causador de uma DST conhecida por tricomoníase. A respeito dessa patologia, marque a alternativa incorreta.

a) A tricomoníase é uma doença que ataca principalmente o colo do útero, a vagina e a uretra feminina.
b) A tricomoníase, além de ser transmitida por via sexual, pode ser contraída pelo compartilhamento de objetos pessoais e pela ingestão de água contaminada.
c) A tricomoníase tem sido frequentemente associada à transmissão do HIV.
d) Nas mulheres, a tricomoníase é responsável por provocar corrimentos abundantes.
e) O Trichomonas vaginalis é um protozoário flagelado.

10. Marque a alternativa que indica corretamente o nome da doença transmitida pela picada de mosquitos do gênero Lutzomyia.

a) Giardíase.
b) Leishmaniose.
c) Tricomoníase.
d) Doença de Chagas.
e) Malária.

11. A Tuberculose Pulmonar pode se apresentar sob a forma primária ou pós-primária. A Tuberculose pós-primária é aquela que 

a) corresponde ao período compreendido entre a introdução do bacilo no organismo e o aparecimento da tuberculose doença e é passível de intervenção medicamentosa. 
b) decorre da progressão da lesão inicial para doença clínica, a partir do foco pulmonar, e sua apresentação é mais comum em crianças, ocorrendo em 5% dos primo-infectados. 
c) se manifesta em qualquer idade, sendo mais comum em adolescentes e adultos jovens, e decorre do recrudescimento de algum foco existente no organismo ou exposição à nova carga bacilífera tempos depois da primo-infecção. 
d) se manifesta por uma lesão pulmonar inicial associada à adenopatia paratraqueal e cerca de 90% dos indivíduos conseguem bloquear o avanço do processo. 
e) caracteriza-se pelo complexo de Ghon e por uma disseminação linfohematogênica sistêmica e o indivíduo permanece apenas como infectado. 

12. O papiloma vírus humano

a) é uma doença sexualmente transmissível e todos os tipos de vírus possibilitam o surgimento do câncer de colo de útero.
b) transmite-se por contato, direto ou indireto, com a pele infectada por meio de relações sexuais, podendo causar lesões na vagina, pênis e ânus.
c) é fator impeditivo para a realização de parto normal, com a necessidade de programação do parto cesárea.
d) pode ser tratado cirurgicamente com laser ou via tópica, dependendo do tipo de lesão.
e) é passível de imunização em qualquer faixa etária, independentemente de idade, sexo ou atividade sexual.

13. A leishmaniose afeta, atualmente, cerca de 400.000 pessoas em todo o mundo. A forma mais comum no Brasil, a leishmaniose tegumentar americana, vem aumentando em Minas Gerais. Esse crescimento se deve provavelmente:

a) à domiciliação do vetor em consequência do desmatamento.
b) à eliminação dos cães infectados que proliferam na periferia das cidades.
c) à falta de condições de higiene, o que permite o contágio com pessoas doentes.
d) ao aumento da resistência do protozoário às vacinas existentes.
e) ao uso comum de seringas por viciados em drogas, o que permite a transmissão do protozoário pelo sangue.

14. Sobre a leishmaniose tegumentar americana (LTA), assinale a afirmativa correta.

a) Existe possibilidade de transmissão inter-humana.
b) A probabilidade de encontro do parasito aumenta com o tempo de evolução da lesão cutânea.
c) A coinfecção pelo HIV pode disseminar a doença, levando a uma visceralização da LTA.
d) A forma cutânea difusa é rara, grave e apresenta reação de Montenegro positiva.
e) A forma recidiva cútis evolui com cicatrização e reativação na borda da lesão, a reação de Montenegro é negativa.

15. A doença cuja transmissão acontece pela inalação das gotículas liberadas no meio ambiente pelos doentes bacilíferos é

a) febre maculosa.
b) tracoma.
c) tuberculose.
d) doença priônica.
e) febre Q.

16. Um portador de hanseníase recém-diagnosticada foi orientado a comparecer ao ambulatório para realizar consultas rotineiras. O objetivo dessas consultas é o de

a) evitar sequelas relacionadas a terminações nervosas, lesão cartilaginosa e tegumentar.
b) orientar o paciente sobre os medicamentos Rifampicina e Vancomicina.
c) orientar o paciente quanto aos cuidados com os pés e evitar lesão pulmonar.
d) entregar medicamentos ao paciente e orientar sobre os cuidados para evitar calos.
e) realizar exames, principalmente do aparelho neurológico, para avaliar acometimento e prevenir sequelas incapacitantes.

17. São sintomas da hanseníase:

I. Tosse seca ou produtiva por três semanas ou mais.
II. Sensação de formigamento, fisgadas ou dormência nas extremidades.
III. Dor e espessamento dos nervos periféricos.
IV. Manchas brancas ou avermelhadas, geralmente com perda da sensibilidade ao calor, frio, dor e tato.

Assinale a alternativa correta: 

a) I, II e IV. 
b) II, III e IV. 
c) II e III.
d) III e IV.
e) I, II, III e IV. 

18. Os seguintes indicadores de saúde empregados no Brasil: "a proporção de jovens abaixo de 15 anos entre os novos casos diagnosticados" e "os registros de pacientes com alto grau de incapacidade provocada pela enfermidade", foram adotados pela Organização Mundial de Saúde para recomendar outros países, no controle da doença, em razão da transmissibilidade, risco de incapacitação física, decorrente da alteração da sensibilidade, formação de nódulos e deformidades no corpo.

A enfermidade em questão trata-se da

a) malária.
b) hanseníase.
c) doença de Chagas.
d) difteria.
e) fibromialgia.

19. As doenças sexualmente transmissíveis são consideradas um grave problema de saúde pública, pois os sinais e sintomas podem ser de difícil identificação, tornando fundamental o diagnóstico precoce e acesso ao tratamento correto.

I. A sífilis manifesta-se inicialmente como uma pequena lesão nos órgãos sexuais, denominada cancro duro, além do aumento dos gânglios linfáticos na região inguinal, após a exposição à situação de risco, com pessoa infectada.
II. O HPV provoca lesões com aspecto de couve-flor e de tamanhos variáveis nos órgãos genitais. Nas mulheres, pode ser assintomático. A maior gravidade é relacionada ao aparecimento de alguns tipos de câncer, principalmente no colo do útero, vulva, pênis e reto, pois toda infecção pelo HPV causa câncer.
III. O condiloma acuminado pode ser tratado de forma local, com uso da cauterização, de produtos cáusticos, quimioterapia ou radioterapia. O parceiro também deve ser submetido ao tratamento.
IV. O teste Elisa é o mais utilizado para o diagnóstico da AIDS, por meio da detecção de anticorpos anti- HIV no sangue, em resposta à infecção pelo HIV. Para a confirmação, pode ser empregado o teste de Western Blot.
V. Janela imunológica é o termo que designa o intervalo entre a infecção pelo vírus da AIDS e a detecção de anticorpos anti-HIV no sangue da pessoa infectada, por meio de exames laboratoriais específicos.

Nesse caso, a detecção de HIV tem possibilidade de um resultado falso-positivo. É correto o que se afirma em

a) I, II, III, IV e V.
b) I, II, III e IV, apenas.
c) I e IV, apenas.
d) II, III e IV, apenas.
e) IV e V, apenas.

20. O Programa de Controle da Hanseníase tem como foco principal a redução da morbidade e dos danos causados pela doença. Além da cura do paciente, o tratamento também visa interromper sua cadeia de transmissão. Pode-se considerar INCORRETO:

a) As formas indeterminada e tuberculóide são classificadas como paucibacilar e as formas dimorfa e virchowiana são classificadas como multibacilar.
b) O tratamento para a classificação Paucibacilar é realizado com rifampicina e dapsona.
c) O tratamento para a classificação Multibacilar é realizado com rifampicina, isoniazida e dapsona.
d) O tratamento paucibacilar é concluído com seis doses supervisionadas em um período máximo de 9 meses.
e) O tratamento multibacilar é concluído com doze doses supervisionadas em um período máximo de 18 meses.

21. Faz parte da competência do enfermeiro organizar o processo de trabalho voltado às atividades de controle da tuberculose. Que condutas são importantes no processo de trabalho do enfermeiro na prevenção e tratamento da tuberculose:

a) Aguardar os sintomáticos respiratórios e contatos encaminhados pelos agentes comunitários de saúde e auxiliar/técnico de enfermagem.
b) Encaminhar os casos suspeitos ao médico para solicitação das duas amostras do exame baciloscópico.
c) Realizar consulta de enfermagem dos pacientes em tratamento, observando o estado nutricional, padrão respiratório, conhecimento sobre seu regime de tratamento e medidas de prevenção e controle da doença.
d) Delegar ao agente comunitário de saúde ou auxiliar/técnico de enfermagem o acompanhamento dos casos em tratamento diretamente observado.
e) Informar ao paciente que, após quinze dias de tratamento, a doença não é mais transmitida.
Responder

GABARITO
1. C
2. A
3. A
4. E
5. C
6. C
7. A
8. E
9. B
10. B
11. C
12. D
13. A
14. C
15. C
16. E
17. B
18. B
19. C
20. C
21. C

• QUESTÕES (COM GABARITO) • Doenças Infecciosas e Parasitárias [5].


1. Ao orientar um grupo de adultos jovens sobre a sífilis, o enfermeiro deve enfatizar que

a) a sífilis adquirida recente caracteriza-se pelo surgimento de cancro duro pruriginoso, que desaparece em 4 meses.
b) a administração intramuscular de Penicilina G Benzatina, uma vez por semana, durante 3 semanas, é indicada no tratamento da sífilis latente e tardia.
c) é considerada doença de notificação compulsória para todos os tipos de sífilis: adquirida, adquirida recente, adquirida tardia e congênita.
d) as sinonímias das sífilis são Lues, doença de Gália e paludismo.
e) o exame diagnóstico é, rotineiramente, realizado com amostra de secreção genital em esfregaço com tintura de Wright.

2. Há um caso suspeito de febre amarela. O médico orienta o técnico de enfermagem para registrar o evento no SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), somente após confirmação do caso; porém, a enfermeira orienta que esse evento é de notificação compulsória imediata. Ao analisar essa situação hipotética, sob o ponto de vista epidemiológico e gerencial, pode-se afirmar que

a) o médico orientou corretamente o técnico de enfermagem, de acordo com a Portaria no 104/2011 do Ministério da Saúde.
b) o médico errou na orientação do técnico de enfermagem pois esse evento é de notificação nas Unidades Sentinelas, e não no SINAN, de acordo com a Portaria no 104/2011 do Ministério da Saúde.
c) ambos profissionais erraram na conduta técnica porque a febre amarela é de notificação compulsória após nota informativa da Central de Imunização.
d) a divergência de opiniões do médico e da enfermeira é saudável ao desenvolvimento organizacional, de acordo com os preceitos do planejamento estratégico situacional.
e) a dualidade de comando, ferindo o princípio da unidade de comando, pode gerar insegurança no técnico de enfermagem, por não saber a quem se reportar.

3. A Hanseníase é uma doença infecciosa, causada pelo bacilo Mycobacterium Leprae, sendo endêmica na região Norte do Brasil, causando um grande estigma relacionado a essa doença. O tratamento para a hanseníase paucibacilar é: 

a) Rifampicina – 1 dose mensal de 600mg (2 cápsulas de 300mg) com administração supervisionada (6 meses); Dapsona – 1 dose mensal de 100mg supervisionada e 1 dose diária auto administrada (critério de alta – 6 doses supervisionadas em até 9 meses).
b) Rifampicina – 1 dose mensal de 200mg (2 cápsulas de 100mg) com administração supervisionada (6 meses); Dapsona – 1 dose mensal de 300mg supervisionada e 1 dose diária auto administrada (critério de alta – 6 doses supervisionadas em até 9 meses).
c) Rifampicina – 1 dose mensal de 500mg (2 cápsulas de 250mg) com administração supervisionada (6 meses); Dapsona – 1 dose mensal de 100mg supervisionada e 1 dose diária auto administrada (critério de alta – 5 doses supervisionadas em até 9 meses).
d) Rifampicina – 1 dose mensal de 800mg (2 cápsulas de 400mg) com administração supervisionada (6 meses); Dapsona – 1 dose mensal de 300mg supervisionada e 1 dose diária auto administrada (critério de alta – 6 doses supervisionadas em até 9 meses). 
e) Rifampicina – 1 dose mensal de 400mg (2 cápsulas de 200mg) com administração supervisionada (6 meses); Dapsona – 1 dose mensal de 200mg supervisionada e 1 dose diária auto administrada (critério de alta – 7 doses supervisionadas em até 9 meses). 

4. São formas de contágio da doença causada pelo Treponema pallidum:

I. Pela mãe ao filho durante a gestação ou no parto.
II. Por transfusão de sangue contaminado.
III. Pela secreção pulmonar expelida durante a tosse.
IV. Por meio de saliva presente em talheres e pratos do sujeito transmissor.

Está correto o que se afirma em

a) I, II, III e IV.
b) I, apenas.
c) II, apenas.
d) I e II, apenas.
e) I, II e IV, apenas.

5. Paciente adulto, sexo masculino, apresenta coinfecção Tuberculose (TB) / HIV. Em relação ao caso apresentado, assinale a alternativa INCORRETA.

a) A rifampicina não é indicada para tratamento nos pacientes com coinfecção HIV/TB por estar relacionada à interação medicamentosa incompatível com a terapia antirretroviral.
b) É frequente a descoberta da soropositividade para HIV durante o diagnóstico de tuberculose.
c) O tratamento da tuberculose em pessoas infectadas pelo HIV segue as mesmas recomendações para os não infectados.
d) Taxas maiores de falência terapêutica e recorrência da tuberculose têm sido demonstradas nos coinfectados pelo HIV.
e) Apresentação pulmonar atípica é frequente na coinfecção (TB/HIV) e é um sinal sugestivo de imunodeficiência avançada.

6. Os sintomas clássicos da Tuberculose (TB) pulmonar são:

a) febre, pele e olhos amarelados, náusea e vômito, mal-estar, desconforto abdominal, falta e apetite, urina com cor de coca-cola e fezes esbranquiçadas.
b) dores abdominais fortes e contínuas, sangramento pelo nariz, boca e gengivas, manchas vermelhas na pele e pulso rápido e fraco.
c) tosse persistente por três semanas ou mais, produtiva ou não (com muco e eventualmente sangue), febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento.
d) intolerância ao calor, mudanças no funcionamento do intestino, com evacuações frequentes, bócio (glândula tireoide visivelmente aumentada) ou nódulos na tireoide.
e) sensação de formigamento, fisgadas ou dormência nas extremidades, manchas brancas ou avermelhadas, geralmente com perda da sensibilidade ao calor, frio, dor e tato.

7. A hanseníase é uma doença crônica, infectocontagiosa, cujo agente Mycobacterium leprae tem capacidade de infectar grande número de indivíduos, embora poucos adoeçam. Para efeito de tratamento, o Ministério da Saúde (MS) divide os pacientes em dois grupos: paucibacilares e multibacilares.

De acordo com a Portaria nº 3.125/2010 do MS, o esquema padrão poliquimioterápico para um paciente adulto recém-dignosticado com hanseníase apresentando cinco lesões cutâneas consiste no uso de rifampicina, combinado com,

a) dapsona e de clofazimina, sendo o tratamento considerado concluído com seis doses supervisionadas em até 09 meses.
b) dapsona e de clofazimina, sendo o tratamento considerado concluído com doze doses supervisionadas em até 18 meses.
c) dapsona, sendo o tratamento considerado concluído com seis doses supervisionadas em até 09 meses.
d) dapsona, sendo o tratamento considerado concluído com doze doses supervisionadas em até 18 meses.

8. Os efeitos adversos dos principais fármacos antituberculose são classificados em menores e maiores. Dentre os maiores, que implicam interrupção ou alteração do tratamento preconizado, constam, dentre outros,

a) náusea, dor articular e prurido.
b) crise convulsiva, hipoacusia e vertigem.
c) exantema leve, urina avermelhada e euforia.
d) cefaleia, ansiedade e dor abdominal.
e) vômito, insônia e suor avermelhado.

9. Assinale a alternativa incorreta referente ao contágio da Tuberculose (TB):

a) Doentes com TB no pulmão em cujo exame direto de escarro são encontrados os bacilos de Koch (doentes bacilíferos), não são passíveis de transmitir a doença;
b) Quem tem TB no pulmão sem ser bacilífero, isto é, se o exame de baciloscopia de escarro é negativo,  tem chance quase nula de contagiar outras pessoas; 
c) Quem tem TB em outras partes do corpo não transmite a doença, porque não elimina bacilos de Koch pela tosse. A possibilidade de contágio por outras vias, que não respiratória, é extremamente rara;
d) Crianças pequenas, mesmo tendo TB no pulmão, não eliminam bacilos pela tosse devido às características das lesões da TB infantil.

10. A educação sexual tem sido assunto obrigatório nos últimos anos em muitas Unidades de Ensino buscando, entre outras coisas, o esclarecimento quanto às doenças sexualmente transmissíveis. Com relação às DSTs, é correto afirmar:

a) Pessoas acometidas por sífilis venérea (causada por Treponema pallidum) são mais susceptíveis a outras treponematoses, ou seja, não desenvolvem resistência a essas infecções.
b) A sífilis venérea é transmitida através do contato sexual, mas também pode ser passada para o feto ainda no útero.
c) Comportamentos de contato íntimo, não sexuais, envolvendo troca de fluidos corpóreos não estão relacionados à transmissão de DST.
d) O HIV (vírus da imunodeficiência adquirida), agente causador da AIDS (Síndrome da imunodeficiência adquirida) ataca todas as células do corpo de uma pessoa após a infecção.
e) Pessoas que praticam “sexo seguro” estão isentas do risco de adquirir uma DST.


GABARITO
1. B
2. E
3. A
4. D
5. A
6. C
7. C
8. B
9. A
10. B